Tagmar Silmaril – S01E06

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Cruzamos a ponte do Brandywine e continuamos a cavalgar até o anoitecer, margeando a Floresta Velha. Ao pôr do sol ouvimos, de dentro da floresta uma linda canção e paramos para ouvi-la melhor. Doce como o perfume das flores na primavera era a som que ouvíamos e uma grande curiosidade apoderou-se de mim.

Não havia a possibilidade de tal música ser cantada por orcs e a presença daquelas criaturas nas terras do Senhor Morgomir era algo impensado. Caminhamos para dentro da floresta, seguindo a doce melodia. Caminhamos por vários minutos até chegar a uma clareira, onde uma linda senhora cantava.

Sua voz melodiosa era sem dúvida mais bela que qualquer outra coisa que eu já tenha ouvido em minha forma mortal. Fiquei ali parado, junto com Gloran, pelo que pareceu uma eternidade até que ela nos avistou e por um segundo ficou confusa e logo apareceu um senhor. A princípio pareceu chateado com a interrupção, mas em seguida, lançando um olhar de reconhecimento, que não era recíproco, correu em minha direção e me abraçou, chamando-me de velho amigo.

Não fui capaz de reconhecê-lo, mas senti uma enorme paz com seu abraço. Sem dúvida não havia ali nenhuma maldade e a sensação de paz foi a maior que já presenciei em minha breve existência mortal.

Tom Bombadil

Venha meu velho amigo! Seja bem vindo. Há quanto tempo não nos vemos!

Minha fisionomia de confusão era muito evidente. Olhei várias vezes para o sujeito que dançava a minha frente, me chamando de amigo, e para Gloran, tentando entender o que estava acontecendo.

Quem veio com você meu amigo, quem é este bravo senhor anão que caminha contigo nesta bela noite? 

Apresentei os dois e continuei inquirindo-o sobre de onde me conhecia, mas suas respostas em nada me ajudavam. Seria ele também  um Maiar em forma mortal? Mas se fosse, como ele estaria em Arda e lembrando-se de sua existência anterior?

Ele percebeu minha dúvida e sorrindo me respondeu, sem eu ter perguntado:

Quanta indelicadeza sua não lembrar-se do velho Tom! Eu me lembro de você, embora já faça muito tempo que não nos vemos. Mas vamos até nossa casa. Acompanhem-nos. Vamos Fruta D’Ouro. Um velho amigo e um novo amigo jantaram conosco esta noite. Vamos Fruta D’Ouro. Hoje a noite tem festa.

Chegamos em uma casa de madeira no meio da floresta, cercada por um magnífico jardim perfumado iluminado por velas de cera de abelha. O vento era suave e as chamas das velas balançavam suavemente. Fizemos todo o percurso, entramos na casa o velho, que ainda não havia parado de falar. Ele falava tanto e tão rápido, muitas vezes coisas desconexas, pelo menos para mim, mas eu sabia que era ali que eu deveria estar.

Fruta D’Ouro trouxe-nos uma bandeja cheia de belas frutas, que comemos enquanto ela preparava um chá.

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Tentei, interrompendo o meu velho e desconhecido amigo, perguntar-lhe sobre tudo que estava acontecendo, tentando arrancar-lhe alguma informação e até que enfim consegui muitas respostas para muitas perguntas que me afligiam, embora tivesse que “pescar” as respostas em meio ao seu alegre discurso.

Realmente não se lembra amigo? Conversávamos, as vezes, por meses a fio sentados na beira do lago, observando a passagem das estações. Conversando sobre a beleza do florescer dos frutos. 

Aquilo realmente não me fazia recordar nada, eu havia me voluntariado a descer a Arda em corpo mortal para investigar a crescente escuridão que ameaçava Arda. Contei-lhe do roubo da Nauglamír e de nosso encontro com Maglor e de nossa desconfiança em relação a alguém que chama-se Anatar.

Uma no céu, uma no mar e uma na terra é onde as Silmarils estão! E elas levaram muita gente a perdição! O pobre Maedhros. O segui por muitas milhas até o sul, onde ele se jogou em um abismo de fogo, levando consigo a Silmaril. 

Desse Anatar nunca ouvi falar, Ossë! Nem de outra ameaça, mas isso é assim! As crianças estão sempre metendo-se em confusões.

Quando ia perguntar porque ele havia me chamado de Ossë, ele pôs uma haste de madeira na boca e dela inspirou profundamente, fazendo com que uma erva perfumada que encontrava-se em um bojo acender-se em brasa. Logo ele estava expirando fumaça.

Quer experimentar? Um cachimbo com uma deliciosa erva! Vai fazer vocês relaxarem.

Tomei, junto com Gloran, o chá que Fruta D’Ouro havia nos trazido e que esfriava em cima da mesa. Em seguida peguei o cachimbo, e seguindo as instruções de Tom chupei o ar pela haste de madeira e meu corpo foi inundado por um calor e um sentimento de relaxamento e quando Gloran pegou o cachimbo, tudo escureceu.

Acorde Laurësil! Você sonhou o mesmo que eu?

Gloran estava em pé, olhando para os lados. Estávamos no mesmo lugar onde entramos na floresta, a beira da estrada, mas aquilo não fora sonho e mesmo que tivesse sido, foi inspirador.

Seguimos viagem até um posto avançado e lá ficamos sabendo que o senhor Morgomir chegaria dentro de alguns dias. Esperamos pela chegada do grande senhor e nos atrevemos a ir até onde ele se reunia com seus comandantes, um dos quais, era Ingbinil, até pouco tempo atrás, um membro de nossa comitiva.

Somos recebidos e informados que uma comitiva maior dirige-se para Eregion, onde uma guerra eminente precisa ser evitada. Partimos com ele, na esperança de encontrar Limiel e Finrod, que ainda estavam distante.

Quando o senhor Morgomir despediu-se de Ingbinil, chamou-o de Kamul, O Senhor do Leste e neste instante, pude perceber um anel no dedo de Ingbinil, algo que não estava lá até a última vez que havíamos nos visto.

Enquanto percorríamos a longa distância rumo ao sul, pude perceber que havia grande poder mágico no anel, mas não consegui determinar o que exatamente aquele anel era capaz de fazer, mas sabia que conferia a ele uma grande majestade e ao que parece a lealdade incondicional de seus soldados, mas ele me disse que aquele anel fora um presente concedido em reconhecimento aos grandes senhores.

Estávamos com
mais 150 cavaleiros em direção ao sul. A Eregion e meus temores aumentavam, ao invés de diminuir.

Quando chegamos a Ost-in-Edhil, capital de Eregion, uma multidão aguardava por Kamul, o Senhor do Leste e gritavam o seu nome. Ele parecia ser uma grande esperança de paz, mas tudo aquilo, de certa forma, me soava muito estranho!

Mais estranho ainda foi encontrar Limiel e Finrod interpondo-se a comitiva de cavaleiros para juntar-se a nós. Nossa comitiva estava novamente reunida, mas algo estava diferente, estranhamente diferente.

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