Véspera

Entrem no clima d’A Fita com este conto de Diego Astaurete. Gravando. O tempo começa a correr no canto inferior direito da tela de uma filmadora qualquer, em foco percebe-se um corredor de paredes azuladas e ovais, sua textura muito semelhante a uma borracha úmida. A iluminação é pálida e parece clarear o suficiente apenas para que o operador da câmera caminhe a passos lentos na única direção disponível em meio ao estranho corredor que se estende até um escuro canto qualquer. Uma luz vai de encontro com a escuridão, e de repente todo o ambiente a frente da filmadora está tomado pelo tom esverdeado emitido pela visão noturna do aparelho, que acaba revelando um lance de escadas preenchida de cabos soltos que chicoteiam a escuridão espalhando suas faíscas para todos os lados. Um grito ecoa do pé da escadaria até chegar aos ouvidos do misterioso individuo, fazendo com que ele perca o foco por um momento enquanto treme de nervosismo e preocupação, mas lentamente vai descendo para ver se alguém precisa de ajuda, e já ao longe da pra perceber que existem capsulas transparentes e embaçadas presas ao chão enevoado do recinto, e de todas elas ecoam pedidos de socorro e gritos de agonia. Por um momento a câmera vai ao chão, e na sua frente o seu operador está de joelhos sob a névoa vomitando, ele tenta cobrir o nariz e se recompor, dando a impressão que o […]

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Solstício de Sangue

Os ventos frios batiam nas janelas produzindo uivos perturbadores que deixavam os moradores de Monte Dourado ainda mais perturbados. Algumas vezes era possível ouvir pedidos de socorro vindos do lado de fora, ou mesmo nomes sendo chamados em meio à ventania, mas ninguém se atrevia a sair. Era solstício de inverno. O nonagésimo oitavo desde que a floresta se fechou e ninguém nunca mais entrou ou conseguiu sair de Monte Dourado. Pelo menos nunca mais alguém conseguiu sair e retornar, não completamente diferente. Daquele tempo não restou mais nenhuma testemunha, mas os relatos passaram de pai para filho e muitos acreditam nessa estória. * * * * * * * * * * * * * * * Dizem que há quase cem anos, no solstício de inverno, três crianças desapareceram misteriosamente. Os pais das crianças em desespero clamaram pela ajuda dos outros moradores que começaram uma busca frenética pelas crianças e encontraram rastros de sangue na floresta e seguindo-os chegaram à casa da bruxa Yvone a parteira e curandeira da vila, que alguns suspeitavam, também praticava a bruxaria. Um grupo invadiu a casa da mulher e viram um das três crianças em sua casa, sangrando no chão, com um profundo corte no pescoço. Certos de que a mulher era responsável pelo que acontecera demandaram respostas, mas a mulher dizia que havia ouvido os gritos da criança na floresta e ao chegar a viu caída, levou-a para sua casa e […]

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Através das névoas

Eu estava muito feliz com toda aquela situação. Estava num avião, com mais cinco amigos, viajando rumo a uma cidade desconhecida com uma ótima perspectiva de emprego. Se tudo desse certo, continuaríamos trabalhando juntos, mas agora num local com grandes perspectivas de crescimento. A alegria tomou conta de todos, embora alguns ficassem ainda apreensivos devido a entrevista, mas pelo menos eu estava muito confiante – ou pelo menos tentava transparecer isso e assim seguimos. Foram 10 horas de viagem até o nosso destino, mas uma viagem confortável, sem muita turbulência. Desembarcamos e seguimos de carro do aeroporto para o hotel, num trajeto que não levou mais do que 10 minutos. Assim que chegamos ao hotel, fomos para nossos quartos e após um bom banho nos reunimos no salão do hotel. Tínhamos um dia antes da entrevista e queríamos conhecer a cidade, fazer um passeio de barco pela costa e é claro, comer um peixe, iguaria da região. Falamos com a proprietária do hotel que nos deu algumas direções. Logo estávamos numa agência de turismo, conversando com uma atendente atenciosa que fez um pacote para conhecer uma ilha próxima a costa. O barco nos levaria até a ilha e lá passaríamos o dia, desfrutando de comida e bebidas típicas da região, mas como todos no grupo não bebem, deixamos a bebida de lado e nos concentramos no mais importante, diversão e comida. Fizemos um pequeno tour pela cidade, conhecendo as lojas, […]

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Um Novo Mundo

Continuando o conto, que na verdade está compondo um novo cenário, temos a segunda parte de Um Novo Mundo. Se quiser conferir a primeira parte, clique aqui. * * * * * * * * * * Haviam muitas pessoas despertando e eu me aproximei para ajudar. Após perceber que estavam todos bem, homens, mulheres e crianças, ficamos envergonhados por estarmos nus e saímos margeando a floresta que nos cercava em busca de algo que pudéssemos usar para nos descobrir e encontramos uma planta rasteira com folhas grandes com as quais improvisamos coberturas para nosso corpo. A noite estava fria e conseguimos juntar madeira próximo a uma grande rocha e depois de algum esforço fazer uma fogueira. Muitos que se sentaram junto a fogueira carregavam em seus olhos dúvidas compartilhadas por todos. Alguns pareciam ainda estar em estado de choque. Olhei ao redor, contando devagar e prestando atenção para ver se reconhecia algum rosto. Haviam 77 pessoas e nenhum rosto conhecido. As pessoas perguntavam o que fariam, onde estavam, o que aconteceu e com mais frequencia, onde estavam os outros, seus entes queridos. Ninguém, porém, tinha respostas para essas perguntas. Um vento frio soprou do mar e todos pareceram sentir uma presença muito forte e todos começaram a chorar. Todos buscando conforto em quem buscava conforto. Um a um foram se ajeitando e começaram a dormir e assim eu vi todos adormecendo. Dormindo como se a muito tempo não dormian, […]

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Reinos Esquecidos – Alhandaran Gwenaël

Waterdeep, 13 Kythorn 1479 Saudações amigos. Meu nome é Alhandaran Gwenaël, meio-elfo da Casa Gwenaël de Waterdeep, guerreiro treinado e cantor exímio. Ontem completei meu 22º aniversário e tomei uma decisão, sair de Waterdeep para conhecer o mundo e anunciei minha decisão durante o banquete oferecido aos membros da família e amigos de outras casas de Waterdeep. Minha decisão foi ouvida, questionada, mas aceita e logo após o banquete, mas ainda durante as comemorações, recebi presentes de minha família. Meu pai, o grande elfo membro dos Watchers de Waterdeep, Järomir Gwenaël, me presenteou com uma cota de malhas e uma espada longa, que ele mesmo forjou, chamada Brisa Lunar. Minha mãe, que eu considero a mais bela humana de Waterdeep, Muiren Lunete Gwenaël e para quem meu pai jurou amar além da morte, me deu um escudo e uma besta de mão chamada Ferrão de Arraia. Comprei um conjunto básico para viagens, bem como me preparei mentalmente para a minha busca, pois eu vou sair do conforto do meu lar para encarar uma vida de aventuras e espero viver muitas aventuras para poder contar um pouco sobre os lugares que passei! Meu primeiro objetivo é ir para o sul, conhecer a cidade de Baldur’s Gate, que dizem ser maior que Waterdeep e de lá, bem, de lá a luz de Selûne me guiará. Nessa viagem não vou só, me acompanha Willow, companheiro de 10 anos, que me salvou um dia, numa hora de grande necessidade, quando eu […]

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Um novo mundo

Houve um tempo que escrever essas palavras seriam o atestado de minha insanidade, mas hoje, depois de ter experimentado essa experiência, ter visto o que vi e sentido o que senti, ponho em dúvida todos os ensinamentos. Eu estava em casa, na cidade de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, no Brasil, quando sejá lá o que for, aconteceu. Eu estava voltando da cozinha quando ouvi um barulho ensurdecedor que me deixou desorientado. Caí e minha visão ficou turva. Me senti afundando num líquido pegajoso, lentamente, e aos poucos me afoguei. Eu lutei para respirar enquanto meus braços se agitavam numa tentativa vã de me manter acima do líquido. Meu corpo começou a reagir a falta de oxigênio e senti as primeiras contrações involuntárias. Eu estava morrendo. Tomado por essa consciência me debati com mais força, buscando em desespero subir a tona. Vislumbrei uma luz pálida na superfície. Meus braços doloridos alcançaram a superfície e em seguida consegui erguer minha cabeça acima do nível do líquido. Eu não havia morrido! Eu renascera. * * * * * * * * * * Meus braços doíam, como no dia depois do primeiro dia de academia. Eu me senti enjoado e vomitei todo o café da manhã. Ou pelo menos foi o que pensei. Atordoado, não me dera conta de onde eu estava. Não era minha casa. Era uma praia, e eu estava sozinho e nu. * * * * […]

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A Névoa

Todos os dias ao acordar, estico a vista pro lado de fora da janela e vejo as duas magníficas colinas que se erguem por trás da estalagem na qual estou hospedado. São duas colinas com esparsas castanheiras seculares, gigantes da altura de 50 homens. Ali embaixo o gado pasta tranquilo o dia inteiro, mas a névoa branca que recobre a […]

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