Sobre mestres e jogadores

Saudações, aventureiras e aventureiros.

Antes de começar esse artigo, que eu já escrevi e apaguei quase uma dezena de vezes, fico pensando se um título melhor não seria: Sobre mestres e jogadores: uma visão básica, isso porque muita coisa mudou ao longo dos anos. Vários RPGs mudaram pouco, ou drasticamente a visão clássica que por simplificação, é a que vou apresentar neste artigo.

Digamos que você esteja pensando em começar a jogar RPG, sendo assim deve ter ouvido que no jogo os participantes são denominados jogadores e mestres – ou qualquer variação desse termo. Muito possivelmente, também já deve ter ouvido falar que ser mestre é muito complicado, e mesmo que jogar esse jogo não é nada fácil.

Então, peça um bebida ao taverneiro, sente-se à luz do candeeiro e deixe-me contar uma história…


Um grupo de amigos, que adorava vídeos games e jogos de tabuleiro, se reuniram em uma tarde, de um dia da semana, sentaram-se ao redor de uma mesa e contemplaram um conjunto composto por livros e miniaturas.

O dono daquele pacote, falava empolgado que aquilo era um jogo chamado RPG. Uma sigla em inglês, que ele nem conseguia pronunciar. Ainda segundo ele, nesse jogo, os jogadores interpretavam heróis em busca de aventuras, tendo que salvar princesas, enfrentar monstros, coisas que só víamos em filmes e jogos de vídeo game.

Aquela descrição, a ficha dos personagens e as miniaturas azuis que compunham o pacote, fisgaram automaticamente a atenção de todos que estavam ali e a pergunta que se seguiu, sem mais nenhuma explicação, foi:

Quando vamos começar a jogar?

Quando todos decidiram que estavam disponíveis no dia seguinte para jogar, o dono do jogo informou que ele precisa ler toda a aventura antes de mestrar.

Mestrar? Mas o que é isso?

E então, o jovem mestre, começou explicando:

De acordo com o livro, existem dois tipos de jogadores. O jogador, jogador mesmo, e o mestre do jogo. O mestre do jogo é quem comanda a aventura. Ele lê a aventura antes de começar, sabe tudo que pode acontecer. No início do jogo lê a introdução para os jogadores, e quando seus personagens participam de um encontro, é ele quem propõe um problema ou desafio, e usa as regras para determinar o que acontece. Além disso, é ele quem interpreta o papel dos personagens que não estão sendo controlados pelos jogadores, além dos monstros e outras criaturas.

E os outros jogadores? O que fazem?

Os outros jogadores interpretam os personagens. A medida que as situações forem sendo apresentadas pelo mestre, os jogadores vão dizendo o que seus personagens fazem.

Como assim?

Ok! Pelo que entendi, e vou usar um exemplo real, as coisas funcionam mais ou menos assim.

Nós estamos aqui, agora, e de repente escutamos do um barulho vindo do outro lado da rua. O que vocês fazem?

Nesse momento, todos se entreolharam e ficaram sem saber o que fazer, ou o que falar. O jovem mestre então aguardou mais alguns segundos por repostas que não vieram e começou:

Eu não sei vocês, mas eu me levantaria, iria até a janela e olharia o que aconteceu. Caso não conseguisse ver, eu abriria a porta e sairia lá fora um pouco. Mas claro, a porta poderia estar emperrada, mas ela não estava a pouco tempo atrás. Se fossem vocês, o que fariam?

Todos se entreolharam novamente, mas dessa vez todos quiseram falar. Estavam entrando na brincadeira. Era um faz de conta, mas com regras.

Eu vou forçar a porta, disse um, eu pularia a janela, disse um outro e rapidamente todos pareciam ter entendido como a dinâmica do jogo funcionava.


Todos pareciam ter entendido a dinâmica do jogo até aquele momento, e compreendido pelo menos parcialmente, a função do mestre e dos jogadores.


Então, jogadores são todos aqueles que sentam-se à mesa para contar uma história, sobre personagens que eles criam no que chamamos de teatro da mente, pois toda a ação, toda a história, se desenvolve através da verbalização de ações, onde cada jogador vai dizer o que o seu personagem faz ou fará.

O mestre também é um jogador, mas a ele caberá liderar e organizar o grupo, apresentando desafios, que os personagens dos jogadores devem confrontar, e cujas consequencias, avançam de alguma forma a história.

É o mestre que descreverá em uma cena, por exemplo, o que os personagens estão vendo, a textura do que eles pegam, cheiros e sabores.

O mestre é também o guardião das regras, que devem ser aplicadas de forma justa, isenta e imparcial, servindo como base de sustentação para as narrativas criadas.

É imporante frisar a importância da justiça, isenção e imparcialidade do mestre, pois ele não está jogando contra os outros jogadores. Um bom mestre deve sempre conduzir as sessões de jogo, observando aqueles três princípios, visando a construção de uma narrativa que divirta a todo.

Jogue para divertir-se! Jogue para divertir-se com os amigos.

Nunca jogue contra os jogadores. Não existem ganhadores ou perdedores no RPG. Existem apenas histórias que podem se tornar memoráveis e dignas das canções dos bardos, sendo desenvolvidas em conjunto, por todos os jogadores.


Espero que o artigo ajude jogadores novatos a entender melhor o que fazem os jogadores e o mestre, bem como o fato de que eles não são adversários, mas sim, cooperam para a criação de histórias fantásticas.

Até o próximo artigo.

Escrito por

Um sonhador que gosta de brincar com palavras e criar mundos imaginários.

Um comentário em “Sobre mestres e jogadores

  1. A função de contextualizar as funções cada vez mais abstratas entre a estrutura mestre – jogador – mestre, cabe aqueles que conseguem enxergar em si, que para que o jogo se desenvolva divertidamente precisamos apenas abandonar a proposta do jogo. Tarefa sempre mais facil de teorizar que praticar. Espero que as novas geracoes de rpgistas abracem a ideia da diversao acima da mecanização e os mestres aprendam a contextualizar antes de impor.

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