Aventuras marítimas: um conto

Uma vila, uma tradição e grandes promessas de aventura. Este conto introdutório do livro The Book of the Sea, publicado pela Mongoose Publisher, é inspiradora para o início de uma aventura marítima e um ótimo ponto de partida para entrelaçamento de destinos.

Sempre foi o costume em minha vila, que ao amanhecer do décimo terceiro aniversário de um garoto, ele deveria descer ao cais, e esperar lá o dia todo. Se um navio atracar, ele deve pedir ao seu capitão o posto de camaroteiro, devendo aceitar qualquer forma de pagamento ou condições que lhe sejam oferecidas. Porém, se nenhum navio atracar, ou nenhum capitão aceitar o garoto, ele pode retornar para casa e nunca mais retornar ao mar, até o fim de seus dias.

Se, no entanto, ele for aceito em um navio, o mar será o seu lar para sempre.

Ao amanhecer, desci ao cais e me sentei em um vaso de lagostas, e esperei. Durante todo o dia as ondas bateram contra as pedras, e eu vi veleiros cruzando lentamente o horizonte. Pequenos barcos pesqueiros aproximaram-se com a maré da manhã, partindo antes que o mar azul encontrasse o céu azul. Certa vez, ao longe, avistei um imponente galeão, um navio de guerra de um dos grandes reinos, e meu coração acelerou. Afinal de contas, se alguém tem que ir para o mar, certamente é melhor ir e se tornar um herói e grande capitão, ganhar renome lutando contra piratas e monstros marinhos, do que ir e servir em algum navio mercante de grãos de Carrisport a Vane do Norte.

O galeão velejou sem parar. O vento ficou mais frio, a maré mudou, e os pequenos barcos pesqueiros balançaram de volta. A maré mudou novamente, e eu pensei que meu destino estava decidido. O dia estava terminando, e nenhum navio havia aportado. Ainda assim eu esperei enquanto o sol descia em direção ao oeste. Este seria um pôr do sol glorioso.

Então, delineando-se contra aquela orbe ardente, eu vi um veleiro. Ele se movia contra o vento, e contra a maré. Mais rápido do que qualquer navio comum, ele superou as gaivotas e corvos-marinhos, indo direto para o cais. Era um navio cinza, de forma estranha. Ele não ostentava bandeiras ou emblemas, e não pude ver nenhuma tripulação a bordo. Petrificado, fiquei parado no cais, enquanto ele se aproximava. Sem lançar âncoras ou baixar velas, ele diminuiu a velocidade, parando a não mais de três metros do atracadouro.

Um rosto apareceu em cima do parapeito, o de um homem austero – não, eu pensei, vendo suas orelhas pontudas e seus olhos feéricos – um elfo austero. Ele usava trajes de marinheiro, mas vestia uma camisa de prata irridescente e carregava bolsa e acessórios de um mago. Um pseudodragão se enrolava em seu ombro.

“Esta é a vila Porto do Rei?” ele disse.

“É sim”, eu respondi, “e por tradição, eu devo lhe pedir o posto de camaroteiro a bordo de sua embarcação, embora eu não saiba o nome dela, nem o seu, para onde vai, ou qualquer outra coisa a seu respeito.”

“Uma tradição muito útil, garoto. Meu nome é Undone. Meu navio é o Filha do Mar. Estou preso aonde o destino me levar, mesmo que até os confins do mundo. E você, garoto, de fato virá comigo.”

Ele gesticulou e uma força invisível me agarrou, me levantando do cais e me levando para o convés cinza do Filha do Mar. Capitão Undone me puxou para cima e apontou por cima do parapeito. Para meu espanto, já estávamos nos afastando do cais, nos movendo para fora da baía. Eu vi Porto do Rei diminuir atrás de mim, com suas lanternas acessas na como se estivesse se despedindo.

Undone disse “eles já se esqueceram de você, garoto. Ir para o mar é morrer. Se prevalecermos, talvez você possa voltar, mas nunca será o mesmo.”

“Quanto… quanto tempo viajará, senhor?”, eu perguntei.

“A vida dos elfos é longa, na verdade. Seu avô não havia nascido quando eu comecei. Você poderá ser pó quando eu terminá-la.”

“E qual é o seu destino, senhor?” eu me arrisquei, ousando muito.

Os olhos de Undone capturaram os últimos raios do sol, e pareceram ficar em brasas. “Ora, para destruí-lo, claro. A máquina, o Couraçado. Aquele que o oceano recusou.”

O texto acima é uma tradução livre do conto introdutório do livro The Book of the Sea, publicado pela Mongoose Publishing.

Escrito por

Um sonhador que gosta de brincar com palavras e criar mundos imaginários.

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