Uma introdução do Basic Roleplaying Game

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Depois de uma peregrinação intensa em busca de um sistema de regras que me permitisse adaptar com facilidade o jogo eletrônico Elder Scrolls V: Skyrim para a mesa de jogo, me deparei com o Basic Roleplaying System. Um sistema quase tão antigo quanto o Dungeons & Dragons, com o qual não tive contato nenhum (pelo menos não diretamente) em todos estes meus anos de atividade no RPG.

Quando fui presentado pelo Pedro Leone com o RuneQuest 6th Edition, vi que aquele era o sistema que me proporcionaria, com um mínimo de esforço, fazer as adaptações que eu desejava. O RuneQuest, no entanto, não é um sistema, mas sim uma ambientação que utiliza as regras do Basic Roleplaying System ou BRP para simplificar.

RuneQuest

No Twitter o Pedro Leone lançou um desafio:

BRP - Pergunta

O BRP responde a esta pergunta em seu capítulo introdutório, e esta retrospectiva histórica que apresentarei neste artigo.

Uma história muito rica

Em 1978, foi publicado o RuneQuest, um RPG ambientado no mundo fantástico de Glorantha, de Greg Stafford. O jogo utilizava uma mecânica básica desenvolvida por Steve Perrin, Steve Henderson e Ray Turney, composto por um conjunto de regras mais básico e intuitivo do que outros RPGs que existiam na época. Em 1980 o RuneQuest ganhou a sua segunda edição.

A segunda encarnação das regras do BRP veio com o Stormbringer, que adaptava a série fantástica Elric do escritor Michael Moorcock para o RPG. As regras de Stormbringer eram um pouco mais flexíveis do que as do BRP e introduziram muitas variantes interessantes.

Sandy Petersen reescreveu o sistema mais uma vez e o adaptou ao mundo sombrio dos horrores cósmicos de H. P. Lovecraft, criando em 1981 o primeiro RPG de horror e provavelmente a versão mais popular do BRP, o Call of Cthulhu.

CoC

Em 1982 foi lançada a caixa World of Wonders, contendo quatro livretos: Basic Roleplaying, Magic World, Superworld e Future World. O produto mostrou toda a versatilidade do sistema BRP, apresentando três diferentes gêneros – fantasia, super-heróis e ficção científica – baseados em um mesmo conjunto de regras. O GURPS, que tinha a mesma proposta, só foi aparecer em 1986.

Outras variações do BRP seguiram-se ao World of Wonders com jogos baseados em diversos romances:

  • Superworld – lançado pela Chaosium em 1983.
  • Ringworld – baseado nos romances de ficção científica do autor Larry Nivens de 1970 e que ganhou sua adaptação para o RPG pela Chaosium em 1984;
  • Elfquest – série de quadrinhos criado por Wendi e Richard Pini em 1978 e que ganhou sua adaptação para o RPG pela Chaosium em 1984;
  • Hawkmoon – baseado nos romances da série Eternal Champions do autor Michael Moorcock e que ganhou sua adaptação peara o RPG pela Chaousium em 1985;
  • Pendragon – lançado pela Chaosium em 1985, com uma versão bastante modificada do BRP.
  • Nephilim – RPG francês de ocultismo publicado em 1992 pela Multisim que ganhou em 1994 uma tradução para o inglês pela Chaosium.

Além destes, o BRP influenciou muitos outros sistemas de jogos direta ou indiretamente, particularmente na Europa, onde muitos jogos são claramente baseados em seu sistema. Alguns exemplos são o Other Suns, publicado pela Fantasy Games of Unlimited e o Drakar och Demoner (Demônios e Dragões) publicado pela Äventyrsspel em 1991.

Ainda hoje o BRP é um dos sistemas de jogos mais populares, e muitas de suas inovações são consideradas padrão nos sistemas atuais.

Desde sua origem, o Basic Roleplaying foi desenvolvido para ser intuitivo e fácil de jogar. Os atributos dos personagens seguem uma curva 3D6, mas a maior parte das mecânicas do sistema baseia-se no sistema percentual.

As características primárias que emergiram de décadas de jogo, a partir dos vários diferentes sistemas são:

  • O sistema é notavelmente amigável. É fácil descrever o básico do sistema de jogo e as mecânicas percentuais a não jogadores.
  • Jogadores oriundos de outros sistemas frequentemente acham o BRP menos mecanicista, oferecendo menos barreiras para a interpretação. Menos tempo gosto em mecânicas de jogo normalmente se equaciona como mais tempo para interpretação e pensamento “personificado”.
  • A maior parte das informações que os jogadores precisam está em suas fichas de personagem.
  • Os personagens tendem a desenvolverem-se baseados nas perícias que usa mais. Eles não ganham experiência arbitrariamente em perícias e qualidades baseadas em elementos efêmeros como níveis ou graduações de experiência.
  • O combate pode ser muito rápido e mortal, e muitas vezes o golpe decisivo em um conflito é o primeiro a ser desferido.
  • O BRP é incrivelmente mo
    dular: níveis de complexidade podem ser adicionados ou removidos de acordo com a necessidade e o sistema básico funciona bem com muitos detalhes ou com uma quantidade mínima de regras.
  • A consistência interna do BRP permite julgar regras rapidamente com a menor quantidade de buscas no livro em casos especiais.

O BRP da Chaosium reconcilia diferentes aspectos do sistema e traz muitas regras variantes em apenas um livro. Algumas destas regras são apresentadas como extensões opcionais, algumas como sistemas alternativos e outras foram incorporadas ao sistema básico.

Basic Roleplaying

Basic Roleplaying System pode ser adquirido no site da Chaosium ($44,95) ou na Amazon (comprei na promoção por $26,97) com capa dura.

É isso aí. Espero que tenham curtido este retrospecto histórico do Basic Roleplaying System, um sistema que vou voltar a falar muito em breve por aqui.

9 comentários

  1. Bom artigo! Vale notar ainda que Basic Roleplaying foi primeiro sistema genérico do mercado de RPG. A caixa Worlds of Wonder, a primeira edição genérica do sistema, com suporte para todo tipo de ambientação, foi publicada três anos antes do GURPS.

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  2. Olá!Ótima matéria. Não conhecia o Basic Roleplaying Game. Pois então muito prazer e estou interessado em saber mais. Sinceramente qualquer sistema modular que seja mais intuitivo e simples que o GURPS, ao meu ver, merece atenção. Fico no aguardo por novas postagens.Até and Bye…

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  3. Hoje fiz a impressão do RuneQuest, que não é genérico, é bem medieval por sinal (adoro isso) e enquanto isso espero pelo meu exemplar do Basic Roleplaying Game e do Mythic Iceland que tenho boas referências sobre.Logo logo vai ter mais artigos sobre ele, pois tem MUITOS elementos que achei simplesmente geniais em um RPG, fugindo muito da vertente indie 🙂

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  4. Eu tenho, e já joguei, várias das diferentes edições do RuneQuest (RQ2, RQ3, MRQ, MRQ2), e também comprei o livro do RuneQuest 6 logo quando saiu em Agosto do ano passado. Tenho que dizer que gostei bastante do livro. Para quem quer uma campanha medieval, com um sistema de regras brutal e realista, mas ainda rápido, simples e flexível, RQ6 é uma boa escolha.

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