Jogos como Aprendizado e Experiência Emocional

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Eu acredito que os jogos podem fazer muito mais do que simplesmente divertir. Eles podem ensinar, podem fazer as pessoas encararem seus medos, ou ter sensações emocionais tão ou até mais fortes do que se tem ao ler um bom livro. De algumas formas, o RPG é ainda mais propício para isso do que outros tipos de jogos, como os boardgames e jogos eletrônicos.

O excelente blog Play Passionately encara o RPG como uma maneira de lidarmos com assuntos que estamos disconfortáveis para então aprendermos na vida real a lidar com eles. O RPG The Shadow of Yesterday também possui sugestões de incorporar assuntos que os jogadores, as pessoas reais que estão jogando, estão passando no momento, coisas como um chefe autoritário ou estar passando por um término de namoro. Se feitas de forma correta, com sensibilidade de todos os participantes, acho que essa forma de jogo pode ser bastante benéfica para a vida pessoal de todos os que estão jogando.

Isso acontece quando um filme, livro ou música mexe com você por conectar com algo que ocorreu diretamente com você, e que fez com que você se indentificasse imediatamente com o protagonista. Algo que é relativamente comum em outras mídias ainda é um assunto complicado quando se trata de RPGs. Eu confesso que apesar da idéia me atrair, nunca coloquei ela em prática. Acredito que seja necessário uma amizade e confiança bem grande entre os participantes para que algo assim funcione na mesa de jogo, e se algo sair errado, o risco não é só uma sessão de jogo ruim, mas sim uma amizade abalada e pessoas reais chateadas e tristes.

Há algumas semanas eu li pela segunda vez o livro Play Unsafe, que fala justamente de abaixar as barreiras durante o jogo de RPG e tomar decisões que podem lhe deixar emocionalmente vulneráveis durante o jogo, e que isso faria aumentar sua diversão durante os jogos. Será mesmo que isso é possível?

Um excelente vídeo que encontrei no TED Talk fala sobre este assunto. Brenda Brathwaite, uma game designer, ensinou para sua filha de 7 anos o que os negros passaram durante a época da escravidão, em suas viagens (chamado em inglês por Middle Passage, não sei se existe um termo em português para isso). O vídeo tem apenas 10 minutos e exemplifica como ensinar e ainda causar uma forte resposta emocional ao mesmo tempo. Se preferir ou se o embed não funcionar, pode ver o vídeo diretamente no site, que tem legendas em português.

http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf

E você, já lidou com isso em seus jogos? Conte suas experiências nos comentários!

Um comentário

  1. Excelente artigo Pedro e o vídeo é fantástico.Existem aquelas pessoas que jogam o jogo pelo jogo e existem aquelas pessoas que buscam alguma coisa a mais.Eu gosto de jogos que possam ensinar alguma coisa, sejam eles boardgames ou rpgs. No entanto, tratar alguns temas pessoais em uma sessão, é algo que eu não me sinto confortável em explorar, mesmo porque não sou profissional da área da saúde mental, então tenho certeza que não teria o tato necessário para inserir e saber lidar com tais temas sem ferir o jogador.Me lembro que há alguns, um grupo estava usando Wraith The Oblivion, para ajudar no tratamento de dependentes químicos.Mais uma vez, excelente artigo.

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