Texto original: World Building 101: You Shall be as Gods
Postado em: 06 de janeiro de 2010
Autor: Brandan Landgraff
Site: D20 Source

No ultimo artigo, nós discutimos alguns dos pontos a ser considerados quando estivermos decidindo o que incluir e excluir do cenário de campanha. Um dos elementos mais críticos de qualquer campanha – mecanicamente e descritivamente – é a natureza das divindades e o sistema de crenças no cenário.

Os deuses do seu mundo, bem como seus seguidores, podem ajudar a emprestar um sentimento claro ao cenário de campanha. Se as divindades que você criar são únicas ou adaptadas dos panteões encontrados na história da terra, os nomes, histórias e fiéis irão criar uma atmosfera e disposições que podem permear sua campanha inteira.

Muito mais do que isso, as divindades de sua campanha afetam as opiniões que seus jogadores tem quando estão criando seus personagens. Toda classe divina requer que o personagem seja fiel a pelo menos uma divindade e os personagens com outras fontes de poder podem acreditar neles e segui-las da mesma forma. Por isso é vital ponderar sobre as divindades de seu mundo.

Existem muitas abordagens possíveis quando se está criando a religião de seu mundo. Você pode projetar um grande panteão, com suas relações complexas e intrincadas, com histórias entre os deuses e os semi-deuses. Alternativamente, seu cenário de campanha pode ter apenas uma divindade, servida por uma hoste de anjos. Os deuses podem ter um papel ativo nos afazeres dos mortais ou eles podem ser indiferentes e distantes. O comportamento dos fiéis, da mesma forma, pode variar amplamente – você pode ter cada fiel agindo da mesma forma, ou pode ter várias seitas conflitantes, cada uma clamando ser o caminho certo.

Monoteísmo vs Politeísmo

O cenário básico de D&D – e muitos, se não todos, dos mundos de campanha publicados – são politeístas. Isso significa que eles tem uma grande variedade de deuses, cada um com uma esfera particular de influência. Um cenário politeísta lhe dá a liberdade de ter várias formas de adoração, bem como um grande número de mitos e lendas interessantes para serem explorados. É relativamente fácil converter os talentos de canalização divina de outros cenários, bem como das divindades do cenário básico ou dos talentos de domínio do livro Divine Power (sem equivalente em português – ainda).

Uma campanha monoteísta, por outro lado, pode dar tom inteiramente diferente. Você pode projetar uma igreja monolítica, ou um número de seitas diferentes servindo o mesmo deus de formas diferentes. Seja cuidadoso com este tipo de abordagem para não cortar o acesso aos talentos de canalização de divindade. – considere o acesso a eles para as diferentes seitas, talvez pertencendo a diferentes aspectos do deus de seu cenário ao invés de diversos deuses.

Ativo vs Indiferente

Os deuses de seu cenário de campanha estão ativamente envolvidos nos afazeres dos mortais, por quaisquer razões. Talvez seus poderes venham da crença de seus fiéis e eles passam a maior parte de seu tempo procurando novos seguidores. Talvez eles ajam para prevenir que um poder rival – outro deus ou alguma outra coisa – tome o controle.

No outro lado do espectro, os deuses do cenário podem aparecer apenas raramente diante dos mortais, preferindo agir através de seus agentes mortais, como clérigos, paladinos ou outras classes divinas. Estes deuses podem achar que os mortais não são dignos de sua atenção ou talvez eles estejam engajados numa luta contra inimigos extradimensionais – se eles ainda estiverem vivos, é claro.

De qualquer forma, considere as implicações de suas decisões nos seguidores de seus deuses. Deuses que fazem aparições regulares no mundo são mais fáceis de serem críveis do que uma divindade que não apresente provas de sua existência e que podem inclusive estar mortos há muito tempo.

Os fiéis

A forma como os mortais expressam as suas crenças nos deuses é tão importante quanto os deuses em si. No entanto, não existe necessidade de gastar tempo focando nos detalhes exatos – sempre se lembre que as minúcias podem destruir uma bíblia de campanha. Outra razão para não ir muito fundo é que deixar alguns aspectos não detalhados abrirá as portas para que seus jogadores tragam suas idéias para a mesa. Deixar que eles criem ordens religiosas das quais seus personagens façam parte é uma forma de criar ganchos de história para os personagens divinos.

Quase invariavelmente, o divino tem um papel importante na ficção de fantasia. Independente de suas escolhas, você descobrirá que gastar tempo nas decisões sobre o panteão do seu mundo é uma forma importante de caso queira adicionar material descritivo ao cenário ou quando seus jogadores quiserem escolher uma divindade para servir. Criar uma mitologia para os deuses de seu mundo contribuirá diretamente para enriquecer o jogo.

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Escrito por Franciolli Araújo
Esposo de Paula, pai de Pedro e Nathanael. Professor e pesquisador na área de mineração. Um sujeito indeterminado que gosta de contar histórias e escrever sobre elas e acredita que o RPG é o hobbie perfeito, embora existam controvérsias.